terça-feira, 18 de setembro de 2012
Ambiguidade
Como se eu mesma me trancasse no que gostaria de ser, como se eu me trancasse um suspiro de verdade, da minha verdadeira eu. E em um instante de distração transparecesse a minha verdade, e no próximo instante já vem o eu idealizado trancar-me.
Já se tornou involuntário, já é automático, robotizado. Em um sorrir mentira e verdade se misturam, se indagam, se tem. Em um olhar cada sentimento briga pelo brilho do momento, pela imagem que transmite.
Em uma areia movediça de mim mesma sou humano, sou areia. Sou a corda, sou a cobra. Sou o salvador, sou o culpado, sou juíz, sou julgado. Sou eu, não sou mais.
Um ciclo de personalidade, bem e maldade
Amor e ódio, mentira e verdade
Minha personalidade, minha ambiguidade
Mocidade embriagada de insanidade
Justiça com falta de piedade
Sou minha, me pertenço
De me cuidar, esqueço
Perco-me já no começo
Já fadada a um preço
Inocência bêbada de impureza
Mundo belo sem beleza.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Quero
Quero uma casa amarela
Um abraço dela
Quero um rinoceronte roxo
Um romance fofo
Quero balões de gás
Um instante fugaz
Quero um bolo colorido
Um dia destemido
Quero um par de meias de bolinhas
Uma criança de trancinhas
Quero sol no meu quarto
Um bom trato
Quero arco-íris no meu céu
Alguém que me compre um véu
Quero rosas na minha porta
Uma moça meio torta
Quero pique nique à noite
Um amor de fonte
Quero uma girafa falante
Uma joaninha gigante
Quero um café forte
Um rapaz de sorte
Quero deitar na Redenção*
Uma dose de paixão
Quero voar livremente
Um pouco paciente
Quero comigo teu olhar
Um instante de amar
Quero simplicidade no planeta
Um soldado com uma corneta
Quero um verso que me explique
Alguém que me modifique
Quero alguém sem igual
Ser feliz e ponto final.
* Redenção - Praça da Redenção, Porto Alegre (RS).
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