sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vão de um Sonhar


Perdi as palavras de meus escritos
Perdi a fala, perdi os gritos
O olhar perdido no vão de um sonhar
Os ouvidos no silêncio a deleitar
Emiti a paixão de meu peito
Em um possível meio estreito
Sumi, caí, não sei, desapercebi
Será que estive eu mesmo ali
Ou são verdades que construí?
E nada, nada, nada, nada disso tudo
Desse sonho, deste desenho
Refazem a sutileza de nossos encontros
Nosso amor em constantes confrontos
Teus olhos cativando a imensidão
Enquanto me esticavas a mão
Tua explosão naquela escuridão
E agora olho perdido no vão de um sonhar
Vão da vida no qual me deixaste a esperar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Inconstância


Na inconstância do meu ser, vago pelos “eus” existentes nas ondas do que sou, no que pareço ser e no que gostaria de ser. Vagando por mim mesma, a cada esquina algumas divagações. No eu se encontram verdades, na aparência se encontram perigos, e no que almejo se encontram sonhos. Vontades perdidas ou não, importantes ou não, vão e vem na linha pontilhada inconstante de mim.
De que parte de mim estou vindo agora? E para que eu é meu destino? Em dúvidas mais rasas e terrenas abrigam-se questionamentos do divino ao profano. E na verdade sou resultado dos três operandos pelos quais transito, sou um pouco de mim mesma, sou um pouco do que pareço, talvez eu também seja um pouco do que gostaria de ser.
E nesta emaranhado de palavras confusas vão se encontrando pontas de dúvidas, formando respostas um pouco mais claras. Talvez de nada adiante transcrever pensamentos a uma folha de papel, mas talvez as palavras que saem da minha mente deem um alívio às que não me saltam pela boca.

Menina, Menina!


Lá vem aquela moça com vestido ao vento
Beleza que desconcentra, me deixa ao relento
Sorri-me com sensualidade banhada de leveza
Deixa-me para trás com decisão, com destreza
Pois essa moça sabe, bem sabe certamente
Que sua ausência me deixa descontente
E ao agir como um inconsequente, viro naquela esquina
E a busco em cada bar, grito por ela: menina, menina!
Moça sem piedade me olha de canto
Como que soubesse sem nenhum espanto
Que lá estaria eu a correr e gritar por ela
Toda as noites com flores em sua janela
Moça, mulher, tão bela senhorita
Imploro que ouça meu amor que grita
Deixa de enlouquecer este coração que lhe ama
Aceite as flores na sua janela, me chama
Chama-me de amor, meu bem, qualquer apelido convém
Só me olha nos olhos e diz que vêm.

Não Sou


Não sou o destinatário do “te amo”
Que me entra nos ouvidos
Não sou a atração do teu olhar
Que passa por mim sem notar
Não sou o deleito do teu corpo
Que o meu clama de vontade profana
Não sou a caixa de correio de teus escritos
Que almejo, o mais fiel desejo
Não são meus dedos entrelaçados aos teus
Que buscam por ti na calada da noite
Não sou a aparição dos teus sonhos
Que sonham com outros amores
Não sou o ápice da tua vontade
Que clama por aconchegos de outras paixões
Não sou teu destino no fim do dia
Nem o toque que te arrepia
Nem motivo de tua alegria
Mas vou te esperar antes que tardia.